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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Ceará bate recorde de transplantes neste ano

Com menos de três meses para terminar o ano, o Ceará precisa de 100 transplantes para alcançar o número de 1.000 pessoas que tiveram a vida salva pela doação de um órgão ou tecido. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), os 900 transplantes realizados em 2011 já constituem um recorde. Durante todo o ano passado, foram feitas 875 intervenções.Seja de uma pessoa viva ou morta, a doação de órgãos é um ato que leva a solidariedade às últimas consequências. Quando soube da possibilidade de alguém da família doar um dos rins ao filho, a dona de casa Maria Vilnete Maia sequer cogitou ter medo. "Eu passei sete anos vendo meu filho fazendo diálise, sofrendo. E tudo aquilo doia muito mais em mim do que nele", ressalta.

Desde os nove meses de vida, Alisson sofria com febres sem causa aparente e perda de peso severa. Só aos três anos, descobriu-se que o menino tinha bexiga neurogênica, uma disfunção que havia afetado severamente seus rins. "O pai não podia doar, porque era fumante, e a minha filha mais velha tinha apenas 16 anos. Então fui eu", diz Vilnete.O transplante foi feito em 30 de junho de 2009, e tanto Alisson quanto a mãe levam uma vida normal e saudável. Hoje com 13 anos, Alisson estuda e é bastante ativo. O que ele mais deseja é fazer esportes, mas a médica só permitiu a natação, que Alisson recusa por conta da vergonha das cicatrizes.
Sobre a importância da doação, Vilnete afirma que muita gente não entende seu gesto, mesmo os parentes que acompanharam todo o processo. "As pessoas ainda têm ideias erradas sobre a doação. Para mim, é um ato de amor e de vida. Eu trouxe meu filho ao mundo e pude salvar sua vida dando uma parte de mim", define.
Desafio
O número de doadores em vida ainda é pequeno. Segundo a Sesa, dos transplantes realizados neste ano, 30 foram com doadores vivos, ou seja, 3,3% das cirurgias. Detalhe: todos as doações foram de rim, sendo que também é possível doar parte do fígado em vida. "Quando há um bom aporte de doadores cadáveres, como agora, o tempo de espera por transplante diminui. Assim, o paciente prefere esperar, até porque a maior parte dos doadores vivos são familiares, e esta opção só é feita em último recurso", diz o chefe do setor de transplante de órgãos do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Ronaldo Esmeraldo.

Fonte: Diário do Nordeste

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